Lígia Teixeira

Biografia

É a sedução a questão do meu trabalho, tema iniciado com a exposição intitulada “Eu te amo/ Eu te odeio”, em 1998, no Paço Imperial, e em seguida com “Calendário”, instalação apresentada na Fundação Joaquim Nabuco em 2003 em Recife. Aí o tema era enfocado dentro da relação afetiva, em torno dos sentimentos do amor e ódio, em que eros e tanatos se alternavam no jogo amoroso. Na série – O NOME DE GUERRA – trabalho apresentado na exposição ZONA OCULTA no Centro Cultural CEDIM em março de 2006, a sedução é tratada pelo viés da sexualidade e seu imaginário. Sobre um muro lá existente, foram impressos classificados de jornais de serviços de garotas de programa, onde foram feitas intervenções com desenhos. Além da plasticidade gráfica, o que me interessa também nestes anúncios é a questão do imaginário que envolve a sedução. Em todos os textos o apelo é sempre em torno dos atributos físicos das prestadoras dos serviços - “Eduarda branquinha”, “Ingrid mulatinha mignonzinha”, “Aquila balzaquiana” ou “Cris 20 aninhos” etc – onde o preconceito predomina.
Assim como os objetos de consumo, o que é valorizado nestes “produtos” é a embalagem, a aparência, vendendo a beleza perfeita em “corpos esculturais” e prometendo o ápice do prazer. A fantasia masculina é estimulada no seu narcisismo, e o que importa é a satisfação imediata, o gozo a qualquer preço. As mulheres aí descritas não têm individualidade, são apenas partes, pedaços de corpos tratados como clichês. Não há identidade, e o nome, é “nome de guerra”. Não há sedução, apenas ilusionismo: tudo é falseado, superficial e descartável. Não existe relação, troca, apenas apropriação, em que a banalidade transforma o desejo em consumo.

Lígia Teixeira