Deixemos de lado as dificuldades encontradas pelas artistas plásticas para prestigiar a obra em si, pois sem o trabalho e sem a produção a sociedade não existiria. Fato este que atinge seu reconhecimento de forma lenta, porém constante.
Zona Oculta une obras de 35 artistas atuantes em âmbito nacional e internacional representando assim o perfil de várias gerações e tendências. A diversidade da linguagem artística é testemunha da pluralidade do pensamento que as conduz. A exposição transpõe um vasto universo entre os valores públicos e privados pelo fato de que as artistas fazem uso de sua própria história ao construírem suas obras que passam a ser vivenciadas por um público também heterogêneo. Por este motivo a exposição ocupa um local expositivo não convencional que mantém um elo cultural o Centro Cultural CEDIM - Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres, instituição que por excelência se ocupa da mulher, seus interesses e seus conflitos.
A cultura brasileira é exemplo de diversificação e este é também o perfil de Zona Oculta, ampla na materialidade, formalidade, estética e concepção ressaltados nas instalações, objetos, performances e vídeos apresentados. Este panorama fecundo é a união de idéias contraditórias que se complementam e se aproximam justamente pelo impulso interno de cada protagonista criadora. A unidade das obras se tem pela atuação e postura das artistas, pois todas as participantes do projeto se concentram em suas obras autorais sem transbordar vestígios artificiais do universo feminino.
Zona Oculta torna visível e público a produção artística proveniente de idéias, mãos e especificamente da identidade da mulher artista brasileira, a qual tem se imposto na história da arte nacional a partir de grandes movimentos como a semana de Arte de 22 a exemplo de Anita Malfatti. A artista ressaltou não somente sua postura, mas também elementos típicos da cultura nacional. O nosso cotidiano dominado pela globalização passa a ser enriquecido por vertentes produtivas e inovadoras que permitem finalmente, mesmo na América do Sul, que as artistas atuem distante de padrões pré-estabelecidos e patriarcais.
Zona Oculta há de ser uma celebração do caminho já conquistado visualizando simultaneamente as novas metas a atingir. Todo processo artístico e de atuação há de ser alimentado pelo reconhecimento!